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sábado, 13 de maio de 2017

SUGESTÃO DE LEITURA - EFFECTS OF HEAT ON MEAT PROTEINS - IMPLICATIONS ON STRUCTURE AND QUALITY OF MEAT PRODUCTS

Como vimos na última postagem, a pigmentação da carne bovina é influenciada por características intrínsecas do alimento e do meio em que é armazenado.
Para complementar essa discussão apresentamos como sugestão de leitura uma revisão desenvolvida por pesquisadores do Departamento de Tecnologia de Alimentos, Engenharia e Nutrição do Instituto de Tecnologia de Lund, Suécia.

            No decorrer da revisão é feita a descrição das características relacionadas à composição e estrutura da carne bovina; além do comportamento das diferentes proteínas quando submetidas ao calor, em que tanto as proteínas globulares quanto fibras protéicas passam por um processo de expansão seguida de contração permanente.
            Paralelamente, discutem que grande parte da proteína sarcoplasmática sofre agregação quando submetida ao intervalo de temperatura que varia entre 40°C e 60°C, entretanto, tal desnaturação pode ocorrer quando submetida a temperatura de até 90°C. Discute ainda que a miofibrila inicialmente se desdobra entre 30°C e 32°C, para então sofrer aglomeração proteica (entre 36°C e 40°C), com subsequente gelatinização (entre 45°C e 50°C).
            As modificações estruturais, retenção hídrica e na textura do alimento que ocorrem durante a cocção são profundamente discutidas nesse trabalho. Para lê-lo na íntegra, acesse esse link.

Referência:

Tomberg E. Effects of heat on meat proteins – Implications on structure and quality of meat products. Meat Science 70 (2005) 493–508.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

OPERAÇÃO CARNE FRACA - MANIPULAÇÃO DA PIGMENTAÇÃO DA CARNE BOVINA

Muito tem sido discutido sobre a qualidade das carnes desde a divulgação da Operação Carne Fraca, em que violação da regulamentação sanitária por diversas indústrias e estabelecimentos ao longo do Brasil vem sendo divulgada. Dentre as denúncias se encontra o emprego inadequado de Ácido Ascórbico para mascarar o estado de degradação da carne bovina. Tal fato tornou-se muito impactante pelo fato de parte considerável de consumidores associarem a coloração vermelha apresentada pela carne a frescor.
Antes de mais nada é importante salientar que a coloração da carne é diretamente influenciada por fatores inerentes à carne, e presentes no ambiente em que o corte se encontra; como por exemplo,  pressão parcial de oxigênio, umidade, luz, temperatura, pH, nutrientes, minerais, condição pré-abate, músculo do qual o corte pertence, fatores de crescimento e sistema redutor da metabioglobina. O desequilíbrio na coexistência de tais fatores pode propiciar o desenvolvimento excessivo de microorganismos, que por sua vez podem contribuir para a rápida degradação do alimento.

Mas você conhece os processos envolvidos na modificação da pigmentação da carne??
Descubra mais nessa postagem.


A pigmentação vermelha que comumente utilizamos como padrão de qualidade durante a compra da carne é resultante da presença da mioglobina, que é uma proteína muscular constituída por um grupo prostético (heme) formado por um átomo central de ferro associado a quatro anéis pirrólicos, unidos entre si por pontes de metano. Essa proteína sofre alterações de acordo com as características do meio em que se encontra, migrando entre três etapas do um ciclo dinâmico apresentado abaixo:

1.    Mioglobina Reduzida (Mb) - Vermelho Púrpura;
2.    Mioglobina Oxigenada ou Oximioglobina (O2Mb) - Vermelho Brilhante;
3.    Mioglobina Oxidada ou Metamioglobina (MetMb) -  Vermelho Marrom;

             Quando apresentada na forma de mioglobina reduzida possui o ferro na forma ferrosa, sem a presença de ligantes.
 Já a oximioglobina se encontra na forma oxigenada da mioglobina reduzida, apresentando oxigênio molecular junto ao átomo de ferro.
Por fim, metamioglobina, que se encontra na forma oxidada possui o ferro no estado férrico ligado a uma molécula de água.

Por constituírem um ciclo dinâmico, tais estados de pigmentação podem sofrer interconversões de acordo com a presença ou não de substrato oxidável (reações de redução e oxidação). Tais interconversões ocorrem apenas enquanto a carne permanece crua, pois ao ser submetida à cocção há desnaturação da proteína e estabilização permanente do ciclo.

Quando a mioglobina reduzida (Mb) é exposta ao oxigênio há conversão em Oximioglobina (O2Mb), que por apresentar coloração vermelha brilhante gera a sensação visual de frescor. O mesmo ocorre na presença de ácido ascórbico ou substratos endógenos (Ex: glicose), uma vez que esse atua como agente antioxidante, sendo oxidado há formação de coenzimas redutoras que atuam reduzindo  metamioglobina e oximioglobina em mioglobina reduzida, reiniciando o ciclo da cor, caso a carne esteja exposta ao oxigênio.

Essa transformação é estabilizada pela presença de elevada pressão de oxigênio. Contudo, caso a pressão seja reduzida (entre 1,0 e 1,4mmHg), ou os estoques de substratos oxidáveis sejam utilizados há oxidação do ferro reduzido (Fe++) para a forma de ferro ferroso (Fe+++), levando à formação de MetMb (Metabioglobina), de coloração vermelho marrom, que por sua vez é rejeitada pelos consumidores por ser associada a características de não frescor.

Com a divulgação da Operação Carne Fraca muito foi discutido sobre a adição de ácido ascórbico à carne bovina. Contudo, o ácido ascórbico nada mais é que Vitamina C; e conforme exposto acima atua como agente antioxidante, cujo pH propicia a quebra de cadeias protéicas, deixando a carne mais macia. A presença de Vitamina C não é maléfica à saúde, o que causa malefícios à saúde é a comercialização de carne que se encontra em estado de deterioração mascarada pela presença de substratos oxidáveis, como a Vitamina C (Ácido Ascórbico).

Portanto, a pigmentação da carne pode sofrer modificações dentro do ciclo dinâmico aqui apresentado quando fatores intrínsecos e extrínsecos são desestabilizados, o que por sua vez pode ocasionar em sua degradação e perda das características nutricionais. Infelizmente, pessoas mal intencionadas têm recorrido ao uso de substratos oxidáveis para mascarar o processo de deterioração do alimento, comercializando um produto impróprio para o consumo humano. Não pela presença de ácido ascórbico, mas sim pelo estado de deterioração pela mesma apresentado.

            Por outro lado, é importante salientar que nem toda carne que apresenta coloração vermelho marrom está passando por processo de degradação, por exemplo, a carne embalada a vácuo. A carne quando embalada a vácuo apresenta essa coloração devido ao processo de armazenamento em que todo o oxigênio é removido, levando o equilibrio dos pigmentos para o estado de metamioglobina, porém, quando a embalagem é aberta há oxigenação da mioglobina, e a carne passa a apresentar coloração vermelha, na forma de oximioglobina (3).

REFERÊNCIAS:
1.    Sarantópoulus CIGL; Pizzinato A. Fatores que afetam a cor das carnes. Rev Nacional da Carne. n°169. ano 15. 1991.
2.    Bromberg R. Armazenamento da Carne e Segurança do Produto. CTC TecnoCarnes V.8 N1. Jan/FEv 1998.
3.    GATEC. Grupo de Apoio Técnico. Tirando as Dúvidas Sobre o Uso de Embalagens a Vácuo. Edição Quadrimestral. N°1.

4.    Cook France. Extension Nutritionist. Science in The Kitchen Series - Meat Hows and Whys. Agricultural Extension Service, University of California. 

quinta-feira, 4 de maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

SAZONALIDADE - FRUTAS - MAIO

Veja abaixo as frutas sazonais para o mês de Maio!

Fonte: Ceagesp


#Dietécnica #Nutrição #SazonalidadeDeFrutas

domingo, 30 de abril de 2017

SUGESTÃO DE LEITURA - CHANGES IN LIKING FOR A NO ADDED SALT SOUP AS A FUNCTION OF EXPOSURE

Sabe-se que nossa preferência alimentar está diretamente relacionada à múltiplas exposições a diversos alimentos e sabores. Exposição essa, que ao ocorrer de maneira continuada tende a aumentar a preferência por esses novos alimentos e sabores, e por consequência alterar a preferência alimentar.
Diante disto, apresentamos um artigo desenvolvido por pesquisadores do Reino Unido, França e Austrália. Nesse estudo eles buscaram observar a relação entre exposição a determinado alimento e preferência por sopas que apresentavam diferentes teores de sal em sua composição.

Para tanto, 37 provadores, cujas preferências por teores de sal haviam sido previamente avaliadas, receberam seis amostras de sopa com teores de sal variando entre 0 e 337mg NaCl/ml.
Estes provadores foram separados em três grupos distintos. No primeiro, os participantes receberiam amostras com 20ml de sopa sem a adição de sal. Já no segundo grupo, os participantes receberiam uma amostra de 280ml de sopa. Por fim, no terceiro grupo, os participantes receberam 20ml de sopa contendo 280mg de sódio em cada 100g de sopa.
Tais sopas foram entregues em oito ocasiões distintas, com intervalos de aproximadamente um dia.
Os grupos que receberam sopa sem adição de sal tiveram a preferência pela preparação aumentada após a terceira exposição ao alimento, que foi evidenciado ao se repetir o teste. Paralelamente, foi observada que o teor de sal aceito aumentou em função da exposição de amostras com variações crescentes do mineral.
Com esse estudo os pesquisadores concluíram que a simples exposição ao alimento sem adição de sal foi suficiente para aumentar a aceitação a um nível equivalente ao apresentado pelas amostras com teor de sal inicialmente preferido.
Para ler o artigo na íntegra, acesse este link

REFERÊNCIA:

Methven L, Langreney E, Prescott J. Changes in liking for a no added salt soup as a function of exposure. Food Quality and Preference 26 (2012) 135–140.

sábado, 29 de abril de 2017

SUGESTÃO DE LEITURA - VARIATION IN SALTINESS PERCEPTION OF SOUP WITH RESPECT TO SOUP SERVING TEMPERATURE AND CONSUMER DIETARY HABITS

A temperatura na cidade de São Paulo caiu consideravelmente nos últimos dias. Nessa situação, nada melhor que uma sopa quentinha!
Entrando nesse clima apresentamos como sugestão de leitura um artigo extremamente interessante!


Ele traz um estudo desenvolvido por pesquisadores do Departamento de Ciência dos Alimentos, da Universidade de Arkansas; Departamento de Ciência e Educação Tecnológica para Vida da Universidade Nacional de Educação de Seul; e do Departamento de Ciências dos Alimentos e Nutrição da Universidade de Dankook.
Neste estudo buscou-se determinar se a variação de temperatura na qual a sopa é servida modularia a percepção do paladar salgado de produtos à base de sopa.
Para isso, oito provadores treinados, e sessenta e dois provadores não treinados foram convidados a dar notas para a intensidade de sal presente na amostra de água, caldo de galinha e sopa de missô, que foram  servidas à 40, 50, 60, 70 e 80°C.
Ao término do estudo foi observado que tanto os participantes treinados quanto aqueles que não receberam treinamento para realização de análise sensorial não foram capazes de identificar diferença significativa na intensidade de sal presente nas amostras servidas.
Entretanto, notou-se que consumidores não treinados indicaram que o caldo de galinha e a sopa de missô teriam menor teor de sal ao serem servidas à 70 e/ou 80°C, quando comparado à amostra servida em temperatura que variou entre 40°C e 60°C. Além disso, foi observado que os consumidores que provaram a sopa servida em baixa temperatura acharam que a sopa quando servida em uma temperatura superior aparentava ser menos salgadas.
Com este estudo foi demonstrado que a temperatura na qual a sopa é servida e os hábitos alimentares do consumidor são fatores que influenciam diretamente na percepção do paladar salgado da sopa.
Para ler o artigo na íntegra, acesse este link.

REFERÊNCIA:

Kim JW, Samant SS, Seo Ya, Seo HS. Variation in saltiness perception of soup with respect to soup serving temperature and consumer dietary habits. Appetite 84 (2015) 73–78.

domingo, 23 de abril de 2017

SUGESTÃO DE LEITURA - SOME ASPECTS OF THE LIKING FOR HOT COFFEE AND COFFEE FLAVOR

        Como vimos na última postagem, muitas são as formas de preparar o café e as diversas bebidas que o leva como ingrediente principal. Mas qual a forma que mais te agrada? Café puro e quentinho? Café gelado? Acrescido de uma rodela de limão? aromatizando iogurte?

Diante desse questionamento apresentamos hoje um artigo muito interessante do estudo realizado por Brenda Cines e Paul Rozin, na Universidade da Pensilvânia, em 1982. Esse estudo buscou observar alguns aspectos relacionados à preferência pelo café quente, e por seu sabor e aroma.

            180 norte-americanos adultos que apresentavam o hábito de ingerir café foram entrevistados quanto à forma como preferiam consumir o café.

            Observou-se a preferência pela bebida servida na forma aquecida e sem adição de outros ingredientes. Ao passo que a preferência por alimentos aromatizados com café (como iogurte, liquor ou ainda café gelado) foi reduzida, se comparada ao café aquecido.

            Segundo os autores, dentre os motivos que levaram a tal achado estaria o importante papel do contexto vivenciado durante o consumo da bebida, como seu efeito durante o período da manhã e a presença da cafeína nesse momento do dia; enquanto que seu consumo em outras formas teria um papel não tão importante, também devido ao contexto em que era consumido. Tal diferença poderia estar relacionada à maior exposição à bebida em sua forma aquecida, sua introdução precoce e consumo em qualquer idade; diferentemente do observado pelo consumo em outras formas de apresentação.        
 
Para ler o artigo na íntegra, acesse esse link.


Referências:
 Cines MB; Rozin P. Some Aspects of the liking for Hot Coffee and Coffee Flavor.  Appetite: Journal for Intake Research, 1982,3,23-34