Páginas

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ENTENDENDO AS FRUTAS SECAS


A FRUTA SECA
Produzida inicialmente na França, a fruta seca atingiu o auge de seu consumo com a  Primeira Guerra Mundial devido à necessidade de fornecimento de  alimentos aos soldados. Com o desenvolvimento tecnológico, oriundo da Segunda Grande Guerra Mundial, a fruta seca passou a ser consumida pelos civis em grande escala. (8)
Ela é obtida a partir de um dos processos mais antigos de conservação dos alimentos, a desidratação e por consequência a redução da atividade de água do alimento. Este processo é aplicado em fruta madura, sãs e limpas, inteira ou em pedaços, por meio de diferentes processos tecnológicos. (1,2,4)
Frutas Secas - Uvas



PROCESSAMENTO
A desidratação pode ser feita a partir da secagem natural ou artificial do alimento. A secagem natural corresponde a um método lento e barato em que a fruta é exposta à radiação solar, sob temperatura elevada, vento moderado e baixa umidade. Neste método há a possibilidade de que o produto seja contaminado por insetos e microrganismos presentes no ambiente.

Já desidratação artificial - como a liofilização e atomização - corresponde processo de remoção de umidade com o uso de equipamentos, condicionamento do ar, controlando a temperatura, a umidade relativa e a velocidade do ar durante a secagem. Diferentemente do método natural, apresenta uma menor possibilidade contaminação, uma vez que não depende de condições climáticas ideais, além se ser realizado em um menor período de tempo. (3)
  
Frutas Secas - Damasco
PONTOS POSITIVOS
A fruta seca é uma importante alternativa à fruta fresca, apresentando diversos pontos positivos, como:
     Apresenta menores limitações quanto à safra, uma vez que pode ser armazenada por longos períodos de tempo, devido à redução da atividade de água, que dificultando a presença de certos microrganismos.(1,2)
     Possibilita a utilização de frutas que não se enquadram dentro dos padrões de comercialização difundidos em nossa sociedade, reduzindo o descarte de frutas feias e as perdas por parte do produtor.(1,2)
     Seu processamento leva à redução de seu tamanho, o que facilita o transporte e armazenamento das mesmas.(1,2)
     Não apresenta especificidade de refrigeração.
     Manutenção do teor de fibra.
Frutas Secas - Uva


ALTERAÇÕES      
Por se tratar de um processo que envolve a transferência de calor e que pode causar alterações químicas e físicas do tecido do alimento, que impactam na qualidade geral do mesmo. Dentre as alterações destacam-se:
     Alterações físicas e químicas no material, como o encolhimento e porosidade no material seco, que por sua vez alteram as propriedades de reidratação.(5,6)
     Alterações das propriedades reológicas ligadas a mudanças na composição, transição de fase do material, assim como nas mudanças microestruturais do alimento devido à perda de pressão de turgescência celular.(5)
     Modificações da concentração de pigmentos responsáveis pela coloração levando ao escurecimento da fruta.(5,6)
     Degradação química de nutrientes, como a perda de ácido ascórbico, levando à deterioração da qualidade do produto final.(5)
     Concentração da densidade energética e teor de macronutrientes.

Todavia, as alterações supracitadas podem se modificar em face das variáveis; como o método utilizado e as propriedades intrínsecas do fruto. Surge por consequência a necessidade de melhor compreensão de tais variáveis para que se preserve ao máximo os nutrientes presentes no alimento, tal qual para que se previna o desenvolvimento de aromas e sabores desagradáveis que afetem a qualidade sensorial do produto final, pois assim como a desidratação pode causar degradação de compostos fitoquímicos de acordo com o método empregado, há estudos que mostram a elevação dos teores dos compostos fitoquímicos quando tratada sob elevada temperatura. Portanto, para o adequado entendimento das frutas secas e de seus benefícios, faz-se necessário que se desenvolva mais estudos sobre as mesmas. (4,5,7)
 
Frutas Secas - Pêra
           
REFERÊNCIAS:
1.     Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos. Resolução - CNNPA nº 12, de 1978. Diponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/12_78_frutas_secas.htm> Acesso em 29 Out 2015
2.     Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secagem como Método de Conservação de Frutas. Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Repositorio/doc54-2003_000gc4ukabp02wx5ok01dx9lcwdbsd1n.pdf> Acesso em 1 nov 2015
3.     Forero, DP; Orrego, CE; Peterson, DG; Osorio, C. Chemical and sensory comparision of fresh and dried lulo (Solanum quitoense Lam) fruit aroma. doi:10.1016/j.foodchem.2014.07.111. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0308814614011595> Acesso em 1 nov 2015
4.     Sun, Y; Shen, Y; Liu, D; Ye, X.  Effects of drying methods on phytochemical compounds and antioxidant activity of physiologically dropped un-matured citrus fruits. doi:10.1016/j.lwt.2014.09.001. Disponível em <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0023643814005568> Acesso em 1 nov 2015.
5.     Rizzolo, A; Vanoli, M; Cortellino, G; Spinelli,L; Torricelli,A.Quality characteristics of air-dried apple rings: Influence of storage time and fruit maturity measured by time-resolved reflectance spectroscopy. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2211601X11000356> Acesso em 1 nov 2015
6.     Ramallo, LA; Mascheroni, RH. Quality evaluation of pineapple fruit during drying process. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960308511000514> Acesso 1 nov 2015
7.     Chen, ML; Yang, DJ; Liu, SC. Effects of drying temperature on the flavonoid, phenolic acid and antioxidative activities of the methanol extract of citrus fruit (Citrus sinensis (L.) Osbeck) peels.International Journal of Food Science and Technology, 46 (2011), pp. 1179–1185 Disponível em:
8.     Sebrae. Como Montar um Negócio de Frutas Desidratadas. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ideias/Como-montar-um-neg%C3%B3cio-de-frutas-desidratadas> Acesso em 1 nov 2015



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

OFICINA PRATO CHEIO - ALIMENTAÇÃO INFANTIL



A POF (Pesquisa do Orçamento Familiar) realizada entre os anos de 2008 e 2009 constatou que o número de crianças acima dos peso e obesas no Brasil (comparado com os resultados encontrados em pesquisas anteriores) tem apresentado considerável crescimento. O mesmo foi encontrado entre os adolescentes.(1)

Diante deste cenário, a merenda escolar se encontra como ferramenta essencial para a modificação desta realidade, promovendo a manutenção e a recuperação da saúde dos alunos por meio da oferta de uma alimentação adequada, que forneça os nutrientes necessários para que possam desenvolver suas habilidades físicas e psíquicas no ambiente escolar.

Os merendeiros são “peças chave” nesse processo, pois a forma como preparam os alimentos, como seguem as orientações das fichas técnicas, e até mesmo a forma como servem os alimentos aos alunos tem impacto direto na forma como as crianças receberão os alimentos, como interagirão e aceitarão os mesmos.

Desta forma, atividades que busquem a conscientização quanto a importância dos mesmos são essenciais, e no dia 27 de Outubro o Laboratório de Técnica Dietética na Faculdade de Saúde Pública recebeu a Associação Prato Cheio, que realizou uma oficina denominada “Aproveitamento Integral: Alimentação Infantil”.
A atividade teve inicio com uma aula rápida sobre o que é a obesidade infantil, e sobre o quão importante é a função deles para a promoção da saúde dos alunos das escolas que trabalham.

Em seguida foram direcionados ao Laboratório, onde tiveram a oportunidade de preparar receitas como Torta de Repolho, Bolho de Chocolate e Banana, Falso Refrigerante, entre outras (disponíveis no blog Laboratório de Técnica Dietética), que em sua maioria utilizam alimentos em sua forma integra, nos remetendo ao uso consciente dos alimentos, e suas consequências sobre o impacto que nossas atitudes têm sobre o meio ambiente e por consequência, como interferem nas crescentes alterações climáticas.

Iniciativas como essa têm ganhado espaço em nossa sociedade,  mas é de extrema valia que nos esforcemos para que cada vez mais pais, alunos, merendeiros, educadores e toda a organização da escola tenha consciência de que o que ofertamos às crianças hoje terá impacto em seu futuro, em sua saúde e por consequência na saúde, e até mesmo economia nacional.

Referência:
(1)  Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica - ABESO. Diagnóstico da Obesidade Infantil. Disponível em: <http://www.abeso.org.br/uploads/downloads/16/552fe98518b8a.pdf> Acesso em 29 Out 2015
(2) Associação Prato Cheio. Disponível em: <http://pratocheio.org.br/> Acesso em 2 Nov 2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Dica de Leitura: Artigo Científico - Perdas de Vitamina C em Hortaliças Durante o Armazenamento, Preparo e Distribuição em Restaurantes

Estudo realizado por pesquisadores do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa avaliou as perdas de vitamina C presente na cenoura, alface, couve, chicória, couve-flor, tomate e repolho, em decorrência da manipulação sofrida pelas hortaliças durante a recepção, armazenamento, preparo e distribuição destes a restaurantes institucionais e comerciais.

Por meio da cromatografia líquida de alta eficiência observou-se consideráveis perdas nas hortaliças utilizadas em ambos os tipos de restaurantes.

Observou-se ainda que tanto no restaurante institucional, quanto no comercial, as maiores perdas foram causadas pela forma como as hortaliças eram armazenadas.

Diante disto, são sugeridas maneiras de se controlar tais perdas, abordando desde a compra e recepção respeitando a demanda do estabelecimento, como o respeito às recomendações de temperaturas de armazenamento de hortaliças, o respeito às indicações de como realizar a higienização dos mesmo, além de manipula-las em horário próximo ao que serão ofertadas ao público, e optar por técnicas de cocção que evitem a perda da vitamina (como o cozimento a vapor)

Leia o artigo na integra acessando este link.

Veja como manipular, receber e estocar frutas, verduras, legumes (entre outros gêneros alimentícios) adequadamente, e por consequência proporcionar uma maior manutenção de seus nutrientes na Portaria 2619/11, neste link.







segunda-feira, 26 de outubro de 2015

“GENTE BONITA COME FRUTA FEIA”



Aproximadamente 50% da comida produzida em todo o mundo são descartadas. De acordo com a FAO países industrializados descartam mais de 1,3 milhões de toneladas de alimento ao ano, alimento esse que poderia ser direcionado a aproximadamente 925 milhões de pessoas. No Brasil o desperdício corresponde a 30% no que se diz respeito aos frutos e 35% às hortaliças. Estes dados foram obtidos a partir de um estudo realizado pela Embrapa no ano 2000, mas que segundo o pesquisador da mesma, Antônio Gomes Soares, pouca coisa mudou até o ano de 2015. Além disso, 26,3 milhões de toneladas de alimentos têm o lixo como destino (1, 2, 3,4).

Este descarte não gera apenas sequelas éticas, mas também impacta o meio ambiente, uma vez que corresponde ao uso desnecessário de recursos naturais durante o processo de produção, bem como a emissão de gases com a decomposição dos restos. E um dos maiores causadores deste descarte demasiadamente elevado é causado pela busca da hortaliça perfeita, bonita, sem nenhum defeito. (1)

            A partir deste cenário surgiu em Portugal a “Cooperativa Fruta Feia”, que busca inverter este cenário, auxiliando as pessoas a alterarem seu padrão de escolha, que atualmente não considera apenas a segurança e a qualidade do produto ofertado no momento da escolha, mas sim valorizando demasiadamente a perfeição aparente.

 Para tanto, criou-se um mercado alternativo para as hortaliças e frutas feias, que além de vir alterando os padrões de consumo, tem agregado valor aos produtores e aos consumidores, reduzindo o desperdício e o gasto desnecessário dos recursos supracitados. (Cujo slogan tornou-se tema desta publicação). (1)



(Figura 1 - Abacate - Uli Westphal Mutato-Project) (2)

            A cooperativa atua recolhendo em hortas e pomares produtos da época que apresentam tamanhos e características consideradas como “fora do padrão”. Produtos estes que devem ter sido produzidos por produtores locais que não realizem prática agressiva ao meio ambiente. Em seguida os colaboradores preparam cestas, que são entregues aos associados à cooperativa no dia e local determinado.

Em abril deste ano o MAPA demostrou o interesse em estimular o consumo de fruta feia e por consequência reduzir o desperdício com alimentos no país, para tanto há o intuito de reduzir o preço destes. Mas não podemos esperar que cooperativas como essas venham ao Brasil, se instalem e ganhem notoriedade para modificar esta realidade. É possível contribuir para a modificação desta situação em nível individual e coletivo.




(Figura 2 - Tomate - Uli Westphal - Mutato-Project) (2)

Em nível individual é possível optar por alimentos não tão perfeitos, mas que apresentam a mesma característica nutricional, bem como transmitir essa transformação a amigos, familiares, pacientes. Ao passo que no coletivo é possível atuar em seu local de trabalho, caso você participe da seleção dos alimentos a serem adquiridos, observando se dentro do planejamento de seu cardápio realmente há a necessidade da comprar um produto “perfeito”, ou se seria possível escolher um produto que certamente seria descartado devido à sua aparência, ainda que seguro e tão saboroso quanto o fruto/hortaliça perfeita (2).
        Veja mais fotografias de Uli Westphal aqui


Referências
1. Fruta Feia. Projecto. Disponível em: <http://www.frutafeia.pt/pt/projecto> Acesso em 12 out 2015

2. Rguez. LM. Estos son los motivos por los que deberías empezar a consumir alimentos 'feos'. Playground Artículos. Disponível em: <http://www.playgroundmag.net/articulos/reportajes/Elogio-alimentos-feos_0_1486051382.html> Acesso em 26 Out 2015

3. Ministério da Agricultura. Mapa quer reduzir desperdício e estimular consumo de fruta feia. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/vegetal/noticias/2015/04/mapa-quer-reduzir-desperdicio-e-estimular-consumo-de-fruta-feia> Acesso em 26 Out 2015.

4. Banco de Alimentos. Desperdício de Alimentos Brasil e Mundo. Disponível em: <http://www.bancodealimentos.org.br/conheca-banco-de-alimentos/desperdicio-de-alimentos-brasil-e-mundo/> Acesso em 26 Out 2015



            

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sugestão de Leitura: Estudo Comparativo do Efeito do Tratamento Térmico Por Pasteurização, Microondas e Ultrassom Sobre a Atividade Antioxidante de Cinco Sucos de Frutas.

       
            

          Pesquisadores do Departamento de Engenharia de alimentos da Universidade de Tezpur, na Índia, realizou um estudo comparativo sobre o efeito de diferentes tratamentos térmicos no teor de ácidos fenólicos em suco de frutas (carambola, melancia, abacaxi e lichia).


Os tratamentos térmicos analisados neste estudo foram:
-Pasteurização Térmica Convencional.
-Microondas
-Ultrassom.


Foi observado que de acordo com o tipo de suco de fruta analisado, bem como com o tratamento térmico recebido havia o aumento ou o decréscimo nos valores dos ácidos fitoquímicos presentes na amostra. Mais precisamente, eles observaram que o uso de ultra-som demonstrou efeito positivo sobre o teor total de flavonóides em todas as amostras de sucos, seguida do tratamento com uso de microondas em algumas amostras.


Com uso da cromatografia líquida de alto desempenho observou-se a presença de diferentes ácidos fenólicos de acordo com o tipo de amostra analisada, no qual em algumas amostras o teor poderia sofrer decréscimo ou ser anulado, enquanto em outros casos poderia ter seus teores elevados, ou mesmo surgir ácidos que não se encontravam na análise do suco fresco!


Notou-se ainda que tanto o tratamento térmico com uso de microondas, quanto com uso de ultra-som mostraram efeito positivo no teor de ácidos fenólicos e atividade antioxidante, exceto em alguns casos.


Dessa forma, os pesquisadores concluíram que o tratamento térmico com uso de microondas e ultra-som poderia ser utilizado como substituto da pasteurização, dependendo das características da amostra, por apresentar maior preservação dos ácidos presentes nas frutas.


Encontre o Artigo na Integra neste link.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

CLASSIFICAÇÕES - HORTALIÇAS

A CLASSIFICAÇÃO

A classificação dos alimentos é essencial para o adequado planejamento e administração das atividades desenvolvidas em uma UAN (Unidade de Alimentação e Nutrição), bem como seus recursos.

O ato de classificar consiste na comparação de um produto com padrões  pré-estabelecidos, possibilitando seu enquadramento em grupo, classe e tipo; por consequência, viabiliza sua interpretação de maneira unificada, facilitando a comercialização entre fornecedor e cliente. Além disso, evita a obtenção de produtos que não sejam adequados ao consumo, que possam causar danos à saúde. (3,4)


COMO OCORRE NO BRASIL
No Brasil, Alimentos e Bebidas foram classificados pela Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA, que estipulava Normas Técnicas Especiais para estes produtos em todo o território nacional.  Com o passar dos anos e com o desenvolvimento de novas pesquisas surgiram publicações de “padrões de identidade e qualidade”, que prevaleceram sobre as Normas Técnicas Especiais. Porém, ainda há muitos alimentos a serem classificados.

Desta forma, a Resolução CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA apresenta uma classificação mais “generalista”, ao passo que os “padrões de identidade e qualidade” são direcionados às características de cada produto analisado, possibilitando uma escolha com maior acurácia.


RESOLUÇÃO  CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA

Segundo a Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA, “hortaliças” são plantas herbáceas das quais uma ou mais partes são utilizadas como alimento na sua forma natural. A mesma divide as hortaliças em  verduras, legumes, além de  tubérculos e rizomas. (1)

Ela pode ser chamada de “verdura’, quando se utiliza as partes verdes, como agrião; pode ser chamada de “legumes”, quando se utiliza o fruto ou a semente, especialmente das leguminosas e, raízes, como abóbora; e pode ainda ser subdividida em “tubérculos e rizomas”, quando são utilizadas partes subterrâneas, como as batatas. (1)

Segundo este documento elas são classificadas em: EXTRA, DE PRIMEIRA e DE SEGUNDA. (1)

A hortaliça classificada como “extra” (figura 1), apresenta alta qualidade, é bem desenvolvida, compacta e firme, não apresenta defeitos, nem variação de coloração, tamanho e conformação. (1)


(figura 1 - Produto que poderia ser classificado como “extra” segundo a Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA) ¹


Já a “de primeira” (Figura 2) apresenta boa qualidade, é bem desenvolvida, firme e compacta. Deve apresentar uniformidade em sua cor, não sendo permitido a existência de danos que alterem sua aparência e conformação. Contudo, diferentemente da “extra”, ela pode apresentar manchas e pequenos defeitos, mas não é permitida a presença de rachaduras ou perfurações que possam servir de veículo a agentes contaminantes. (1)




(Figura 2 - Produto que poderia ser classificado como “de primeira” segundo a Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA) ²


Por fim, a classificação “de segunda” (Figura 3), em que se permite a existência de defeitos, danos mecânicos ou físicos, bem como descoloração, desde que não interfiram gravemente em seus aspectos, e não haja a possibilidade deste atuar como veículo para agentes contaminantes. (1)



(Figura 3 - Produto que poderia ser classificado como “de segunda” segundo a Resolução - CNNPA nº 12, de 1978 da ANVISA)³


EXEMPLO DE CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM OS PADRÕES DE IDENTIDADE E QUALDIADE
            Como mencionado anteriormente, os “padrões de identidade e qualidade” apresentam um direcionamento às caracterírsticas do produto analisado, o que que possibilita uma maior especificação durante o processo de seleção dos alimentos, de acordo com sua finalidade de uso. (2)

Para ilustrar esse “direcionamento” apresentamos os “Padrões de Identidade e Qualidade” do tomate, estabelecido pela Portaria N° 553, DE 30 DE Agosto de 1995, que contém as determinações de acondicionamento, embalagem e apresentação do tomate destinado ao consumo “in natura”, a ser comercializado dentro do país e em países membros do MERCOSUL. Esta portaria, bem como a elaborada para os demais alimentos, se sobrepôs à resolução acima citada. (2)

Neste documento é apresentada a definição de tomate, bem como seus defeitos graves (podridão, passado, queimado, dano por geada e podridão apical) e leves (dano, mancha, ocado, deformado e imaturo), e a definição de cada defeito. (2)

Há ainda a apresentação de sua classificação em grupos (de acordo com seu formato), subgrupos (de acordo com sua coloração), classes ou calibres (de acordo com seu tamanho), categorias (de acordo com sua qualidade); requisitos gerais. (2)

É exibido também a definição da embalagem adequada para armazenamento e transporte, rotulagem, acondicionamento e transporte, amostragem para a analise do lote de acordo com seu tamanho, certificado de classificação e fraude. (2)

Estas informações podem ser analisadas e aprofundadas neste LINK



CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS E A TÉCNICA DIETÉTICA

Além dessas características, dependendo da preparação em que o alimento será utilizado, é necessário tornar ainda mais acurada as especificações. Para tanto, é possível delimitar o período de colheita, bem como o grau de maturidade, aroma, coloração, frescor do alimento, grau de higienização, ausência de resíduos de fertilizantes, características microbiológicas, microscópicas, e a forma como deve ser armazenado e transportado, entre muitas outras possibilidades.

Sendo assim, é essencial que se planeje previamente e adequadamente o que será feito com essas hortaliças. Caso ela venha a ser utilizada como ingrediente principal da preparação é condizente escolher uma classificação de melhor qualidade quanto à aparência, porém, se ela for utilizada acompanhando outros ingredientes, sem ser o ingrediente “chave”, ou mesmo quando será cortada, a hortaliça “de segunda” corresponde a uma uma boa alternativa, pois normalmente apresenta preço de venda menor que o apresentado pelas demais, e tem composição de macro e micronutrientes semelhantes à apresentada pelas demais classificações.

Além disso, ao escolher a hortaliça “de segunda” você estará ajudando a reduzir o número de alimentos que são descartados por apresentar variação de coloração, tamanho, e demais características; resumidadmente, por serem consideradas “Hortaliças Feias”. Pense nisso.

            Para exemplificar a possibilidade de utilizar hortaliças classificadas como “de segunda”, sem que haja o menor prejuízo da preparação, apresentamos a receita de “Bolo de Abobrinha com Chocolate”, preparada pelos alunos da turma 72 na aula de técnica dietética do dia 16 de Setembro. Em que a abobrinha, ralada, atuou como agente umectante, além prover uma maior aporte de nutrientes. Essa e outras receitas da aula de “Frutas e Hortaliças” podem ser encontradas no Blog do Laboratório de Técnica Dietética

  


BOLO DE ABOBRINHA COM CHOCOLATE



INGREDIENTES
1 ¾ xícara (chá) de açúcar
½ xícara (chá) de margarina
½ xícara (chá) de óleo
1 colher (chá) de essência de baunilha
3 ovos médios
2 ¼ xícara (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de chocolate em pó
1 colher (chá) de fermento químico em pó
1 colher (chá) de sal
½ xícara (chá) de leite
1 abobrinha com casca, ralada
1 xícara (chá) de chocolate em barra picadinho ( ao leite ou meio-amargo)
MODO DE PREPARO
1. Bater em batedeira o açúcar com a margarina e o óleo até ficar homogêneo.
2. Juntar a baunilha e os ovos, batendo bem após cada adição.
3. Peneirar a farinha, o chocolate em pó, o fermento e o sal sobre uma tigela média. Aos poucos, juntar essa mistura ao creme de ovos, intercalando com o leite e mexendo bem.
4. Juntar a abobrinha, misturar e despejar a massa numa assadeira (22cm por 30 cm) untada e enfarinhada.
5. Espalhar os pedacinhos de chocolate sobre a massa. Assar em forno médio,
préaquecido, por cerca de 40 minutos.
6. Tirar do forno, esperar esfriar e cortar em pedaços.






DICA:
     Caso você queira encontrar mais informações sobre as características a serem informadas durante a especificação das compras acesse o site HORTIESCOLHA. Aliás, neste mesmo site é possível encontrar a sazonalidade de frutas e hortaliças (cuja fonte é o CEAGESP), e ainda opções de substitutos às mesmas.

Obs: Gosteríamos de salientar nosso agradecimento à engenheira de alimentos, Fabiane Camara, por ter disponibilizado conteúdo enriquecedor para essa matéria.




REFERÊNCIAS

1. Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos - ANVISA. Resolução - CNNPA nº 12, de 1978. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/anvisalegis/resol/12_78_hortalicas.htm> Acesso em 6 out 2015.
2. Ministério de Estado da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária. PORTARIA N°553, de 30 de Agosto de 1995. Disponível em: <http://www.codapar.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/tomate.pdf> Acesso em 09 out 2015
3. Programa Brasileiro para a Modernização da Horticultura. Normas de Classificação. Disponível em: <http://www.hortibrasil.org.br/jnw/images/stories/palestra/Normasdeclassificacao.pdf> Acesso em 9 out 2015
4. Luengo, RFA; Calbo, AG; Lana, MM; Moretti, C.L; Henz, GP. Classificação de hortaliças. Brasília: Embrapa Hortaliças, 1999.

¹Foto retirada do site <pt.dreamstime.com> para ilustrar um produto que poderia ser classificado como de segunda. O conteúdo do qual a foto foi retirada não abordava classificação do alimento.
² Foto retirada de acervo próprio para ilustrar um produto que poderia ser classificado como de segunda. O conteúdo do qual a foto foi retirada não abordava classificação do alimento.
³ Foto retirada do site <sustentator.com> para ilustrar um produto que poderia ser classificado como de segunda. O conteúdo do qual a foto foi retirada não abordava classificação do alimento.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Maxixe - Como Escolher

    Trepadeira cujos ramos podem crescer até 3 metros, o maxixe é originário da África e é uma hortaliça tradicional na cultura nordestina.

    Outubro é considerado um dos meses em que sua sazonalidade é forte, mas como proceder no momento da compra?

     Muito simples, escolha o maxixe que estiver firme, cuidando para não danificá-lo, pois sua casca é delicada. Observe ainda sua coloração, que deve ser verde claro; e ainda seus espinhos, que devem estar íntegros.

Para mais informações sobre como comprá-lo, ou ainda quanto a sua conservação e consumo, acesse Hortaliças na Web - 50 hortaliças.